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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
09/04/2013 | Luiz Santos: Uma Igreja que inspira cuidados (2)

 O Reino dos céus (e a Igreja) é como o homem que semeou boa semente em seu campo.” (Mt 13. 24).

 A semana passada demos início à reflexão sobre as marcas ou características de uma igreja saudável seguindo, grosso modo, as intuições de Mark Dever em sua obra, “9 Marcas de uma Igreja Saudável”, Editora Fiel. Hoje, quero completar a nossa conversa tratando de outros três importantes temas.

A igreja tem sido alvo de muitas suspeitas hoje em dia. Desconfia-se de sua relevância, de sua honestidade e de sua real necessidade nesta babel que se tornou o mundo evangélico. Muitas denominações apresentam sinais de confusão em sua identidade confessional fazendo verdadeiras caricaturas de uma comunidade de fé, abrindo mão da própria herança e “importando” costumes estranhos a sua vocação e às peculiaridades confessionais que como dons de Deus enriqueceriam o Reino e melhor serviriam ao mundo. Esta babel das igrejas leva muitos crentes, alguns muito honestos e convictos, a não filiar-se a igreja alguma e mesmo a desprezar a instituição eclesial.

Contudo, a igreja não é um acidente religioso e nem um mal necessário. Não é uma opção no cardápio da fé. A Igreja está no centro do plano redentor do Cordeiro de Deus. Os salvos foram salvos para reunirem-se em comunidade de fé, celebração, amor, serviço, santificação e pacto. A Igreja é o resultado visível para o mundo e para os anjos do que o amor de Deus é capaz de fazer com a humanidade desgraçadamente pecadora. A Igreja é a humanidade regenerada que enquanto aperfeiçoa a sua condição de povo santo, compartilha com a humanidade as bênçãos do Evangelho, dá testemunho do insondável amor de Deus e sob a autoridade e no poder de Jesus Cristo anuncia o Evangelho por meio de palavras e obras. Portanto, as outras marcas são (continuando a última pastoral):

4. Tonar-se membro de uma igreja local é imprescindível para a genuinidade da fé, o progresso no conhecimento de Deus, a Evangelização do mundo, a denuncia dos falsos evangelhos e falsos profetas e mestres, a edificação da Igreja de Cristo e sobretudo, para glorificar a Deus. Para ser membro de uma Igreja duas portas precisam ser transpostas: A. O batismo; B. O acatamento e a celebração do pacto. O batismo será ministrado quando o candidato estiver pronto e decidido. A celebração do pacto é a aliança confessional, doutrinal, consuetudinária realizada com e na Igreja local. É o compromisso de assistir frequentemente os cultos, participar ativa e responsavelmente da ceia do Senhor, participar das assembleias quando convocadas pelo Conselho, orar e contribuir com regularidade, sustentar e apoiar o ministério. A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Igreja Presbiteriana Central de Itapira (IPCI) são comunidades pactuais, somos uma igreja que celebra e vive a aliança na estabilidade de uma igreja local como família da fé e responsáveis uns pelos outros em serviço e amor. Um falso entendimento do que é ser membro adoece a Igreja.

5. Outro drama é o entendimento bíblico da disciplina eclesiástica. Esta não é uma satisfação a ser dada a Igreja num primeiro momento. Nem mesmo a preciosa vida do faltoso a precede em necessidade. Antes do mais, a disciplina eclesiástica quer preservar e enaltecer a glória de Deus que o pecado quer destruir. Depois, para o bem e a restauração do faltoso e por fim a santidade e a saúde do rebanho. Onde a disciplina não é aplicada as portas para “desclesiologização” da igreja estão abertas. O que temos é uma comunidade mundanamente religiosa. Um cristianismo sem Cristo e “boas novas” sem Evangelho. Onde o pecado é, no mínimo, consentido não resta muito a se fazer pela Igreja e a nossa alma corre sério perigo. Como disse John Dagg: “Quando a disciplina deixa a Igreja, Cristo a acompanha.”

6. Outro grave perigo para a saúde de uma igreja é a negligência e o desinteresse pelo discipulado. Sem o efetivo discipulado o que há é a infantilização da Igreja. Membros mimados, pirracentos que se acham inclusive no direito de escolher a própria disciplina eclesiástica (isso quando tem algum pálido senso do que significa ter pecado). A falta de discipulado gera cristãos passivos, confortados, medíocres, consumidores de religião e coisas sagradas, infrutíferos e muitas vezes insustentavelmente levianos, pulando de igreja em igreja, de denominação em denominação. O discipulado Bíblico implica treinamento, transmissão de conhecimento, emulação de padrões vivenciais em um estilo de vida santo, reto, comprometido e obediente a Deus. Sem discipulado, sem este investimento em vidas e em habilidades para um viver biblicamente santo, nunca haverá verdadeiro crescimento da Igreja.

Em suma, presumo que uma Igreja que queira ser saudável, o mesmo que fiel e bíblica, precisa cultivar estas realidades em suas estruturas e em sua vida. Só assim teremos igrejas que reflitam de verdade a Glória de Deus no mundo.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor Mestre da IPCI

Fonte: Luiz Santos

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