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Itapira, 06 de Julho de 2022
Notícia
08/12/2021 | Luiz Santos: Gaudete

A tradição litúrgica da igreja cristã chama o terceiro domingo do Advento de Gaudete. Essa expressão latina quer dizer ‘alegria’, júbilo e indica entre outras coisas, a proximidade do Natal. Recebeu esse nome porque as antigas antífonas e as leituras estabelecidas no lecionário traziam o imperioso convite para que os crentes se alegrassem nas promessas, nos grandes feitos de Deus e de maneira especial, alegrar-se pelo nascimento de Jesus Cristo. Assim como a tristeza segundo Deus é essencialmente diferente da tristeza segundo o mundo (2 Co 7.9), também a alegria em Deus não guarda relações com a alegria do mudo. Você pode encontrar motivos presentes no mundo para se alegrar em Deus, como a exuberância da natureza e a perfeição de suas leis, a beleza das artes, a elevação produzida pela harmonia musical, o amor romântico e o maravilhoso mundo das ciências. São todas dádivas naturais de Deus para o alívio dos sofrimentos inevitáveis do mundo e o consolo dos crentes enquanto peregrinam para o céu. Entretanto, quando a alegria tem como fim em si mesma o mundo, essa alegria é vazia, ilusória, efêmera, enganosa e a sua glória desvanecente traz consigo depressão, cansaço e um estado nauseabundo. A alegria em Deus é vida, saúde, prosperidade espiritual, reto desfrute dos bens materiais, zelo pela justiça, amor pela verdade e por que não, êxtase. A alegria produzida por Deus é uma qualidade do coração, mais que uma sensação, é um estado permanente e uma atitude corajosa frente à vida, porque a alegria produz uma ‘teimosa’ esperança. Essa alegria divinal cura os traumas do passado, corrige os passos do presente e estabelece uma rota segura nos caminhos da vida. É capaz de superar a depressão, curar a ansiedade e controlar os medos e pavores quanto o futuro. A alegria espiritual tem o poder de nos fazer resilientes e resistentes nas horas mais sombrias da vida. Mas como acessar sempre essa alegria e mantê-la ativa dentro de nós? A alegria é mais facilmente acessada pela memória, pela lembrança das coisas realizadas, experimentadas e vividas. Por isso, já escrevi isso mais de uma vez, todo crente tem o dever de criar um inventário de bênção e graças em suas vidas, faz parte da piedade cristã: “Se da vida as vagas procelosas são, se, com desalento, julgas tudo vão, conta as muitas bênçãos, dize-as de uma vez, verás, surpreso, quanto Deus já fez. Conta as bênçãos, dize quantas são, recebidas da divina mão! Vem dizê-las, todas de uma vez, e verás, surpreso, quanto Deus já fez!” (Hinário Novo Cântico – 63). Com essas lembranças ordenadas e guardadas na memória afetiva, o crente pode acessá-las em dias de aridez, quando o céu se fizer como bronze e o chão como ferro (Dt 28.23), e receber grande ajuda e encorajamento. Outra maneira de despertar essa alegria no coração é celebrar a Deus com júbilo e servi-lo com alegria. Celebrar, cantar, se emocionar na presença de Deus, apegar-se afetivamente a Ele, levantar aos céus as nossas vozes, enquanto erguemos às alturas os nossos corações, é uma maneira de experimentar essa alegria terapêutica, restauradora e libertadora. Celebrar com alegria significa que nada mais importa para além da companhia, da presença de Deus: Então Moisés lhe declarou: "Se não fores conosco não nos envies” (Êx 33.15), o contexto desta citação é a promessa de Deus em conduzir o povo até uma terra que manava leite e mel. O Senhor prometeu enviar um anjo junto a Moisés para conduzir a peregrinação. Contudo, a resposta de Moisés a Deus significa o seguinte: o que nos importa Canaã? Que valor tem para nós o leite, o mel e todas as delícias da daquela terra? Nada, absolutamente desejamos além da companhia, da presença do Senhor. É a Ti que desejamos, mais que qualquer coisa nessa vida: “Ao Senhor declaro: Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti" (Sl 16.2); “A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti” (Sl 73.25). Alegar-se, significa contentamento, satisfação, por isso celebramos. E por último, despertamos essa alegria em nós quando doamos amor ao próximo, de maneira graciosa, desinteressada e altruísta. Quando tocamos a vida dos outros com bondade, misericórdia, graça e amor desmedidos, somos recompensados com uma alegria indizível com um coração dilatado em inenarráveis doçuras de amor. É isso que o Advento, no domingo “Gaudete”, deseja despertar em nós, a nossa vocação para a alegria da vida centrada em Deus, da vida centrada em Jesus, causa única e verdadeira da nossa alegria.

Reverendo Luiz Fernando é pastor na Igreja Presbiteriana Central de Itapira.

Fonte: Luiz Santos

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