28/04/2014 | Mundo deve reduzir 300 milhões de toneladas da capacidade excedente de açoO excesso de capacidade instalada de produção de 570 milhões de toneladas de aço em 2013, com previsão de chegar a 600 milhões de toneladas este ano, é a principal preocupação da indústria siderúrgica mundial, ?porque acaba por mexer na saúde das empresas?, disse hoje (28), no Rio de Janeiro, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes.
O abastecimento e os preços de matérias-primas, como minério de ferro e carvão; as mudanças climáticas e emissões de gás carbônico; e a participação estatal no setor, em países como China, Índia e Irã, são outras preocupações da siderurgia nacional e internacional, completou Lopes, durante seminário promovido pelo instituto para jornalistas do Rio.
A perspectiva, expôs o executivo, é de agravamento do quadro, uma vez que existe uma projeção de aumento do excedente de capacidade não só da China, mas de outras regiões, entre as quais a Índia e os países do Médio Oriente e Norte da África. Somente a China deverá trazer um excedente adiciona superior a 192 milhões de toneladas, entre 2013 e 2015, de acordo com a Associação Mundial do Aço (Worldsteel Associaton). Entre as várias consequências que isso acarreta, Lopes indicou o estabelecimento de práticas predatórias.
Segundo informou, o crescimento de 3,1% da produção global, previsto para 2014, e de 3,3% em 2015, não contribui para a redução do excedente. Para que as empresas comecem a ter uma vida mais saudável, o presidente do IABr disse que seria necessário retirar em torno de 300 milhões de toneladas do excedente de produção.
Na visão da entidade, o fórum adequado para discutir a questão é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cujo Comitê do Aço teve a vice-presidência assumida recentemente pelo diretor do Departamento de Competitividade Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alexandre Comin.
O IABr elaborou trabalho conjunto com o Mdic, e as duas entidades preparam as estratégias e prioridades que serão levadas regionalmente à OCDE pela Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), na próxima reunião da organização, prevista para os dias 5 e 6 de junho. ?Nós vamos acampar na OCDE?, garantiu Lopes.
Ele disse que a expectativa é que sejam discutidos mecanismos para que a redução do excedente de capacidade de produção mundial seja efetivada. Como a OCDE é um fórum de governos, ele acredita que é o local adequado para debater a questão, e acrescentou que, dentre as possíveis soluções, uma seria a identificação da má capacidade de produção, ou seja, da capacidade obsoleta, que poderá ser descartada. Outra possibilidade é a criação de fundos de compensação para os países que vierem a diminuir a sua capacidade excedente. ?Nós estamos falando de 300 milhões de toneladas?, enfatizou.
Advertiu, por outro lado, que o Brasil estaria fora desse rol de países a desativar usinas com capacidade obsoleta, porque a indústria investiu em modernização. ?Não é o que acontece com a China?, disse. Sustentou que é preciso primeiro identificar quais foram os países que modernizaram a produção e têm capacidade positiva. A avaliação tem de ser técnica, defendeu. ?O Brasil está sentado para discutir. Mas, se o critério é técnico, o Brasil está bem na fotografia?. Admitiu que a solução não é simples nem rápida, ?mas tem que ser iniciada?.
Lopes citou, ainda, a preocupação do setor com o fato de 38% da produção global de aço serem oriundos de empresas estatais, das quais 34% estão na China. Os chineses, inclusive, já estariam fazendo o dever de casa, começando a desativar usinas que se mostram obsoletas.
Editor Stênio Ribeirohttp://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-04/mundo-tem-que-reduzir-300-milhoes-de-toneladas-de-capacidade-excedente-de
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