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Itapira, 29 de Novembro de 2021
Notícia
17/03/2015 | Bairral sediou encontro que discutiu a relação entre mulher e alcoolismo

O Instituto Bairral de Psiquiatria recepcionou no último sábado dezenas de profissionais e estudantes das áreas médica, educacional, psicologia, serviço social, terapeutas ocupacionais, psiquiatras e conselheiros em dependência química, que vieram a Itapira participar da 4ª Jornada Preparatória para o 23º Congresso Brasileiro da ABEAD.

A ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas) é uma associação que congrega profissionais que trabalham no campo da dependência química no Brasil, com afiliados e representações no país e no exterior. Trata-se de uma entidade que possui em seus quadros psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos, advogados, líderes comunitários, consultores, professores, entre outros associados com a finalidade de promover o debate em torno dos temas que fundamenta sua atuação por intermédio de uma vasta variedade de perspectivas e uma troca de experiências dinâmica e atualizada, segundo informativo da associação de comunicação da entidade. Fundada em 1989 e sediada em Porto Alegre-RS, é uma entidade civil , sem fins lucrativos, com propósitos científicos. A ABEAD é presidida pela psiquiatra Ana Cecilia Marques, que organiza seminários, palestras e conferências nacionais e locais, sobre os mais variados temas da área da dependência química, bem como apresentações e intercâmbio de ideias com especialistas convidados do país e do exterior. “Esses eventos contribuem para a atualização de especialistas brasileiros, que ficam informados sobre a necessidade de prevenção da doença e promoção da saúde, com tratamentos resolutivos aos dependentes de álcool e outras drogas”, explica.

O encontro teve o apoio formal do o Cebap (Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral), um dos apoiadores da jornada. A escolha do Bairral para sediar a jornada preparatória tem a ver também com a estrutura que o Hospital itapirense possui neste tipo de evento coletivo.
 
O congresso propriamente dito está agendado para ocorrer de 23 a 26 de setembro , em Campos do Jordão-SP. A temática vai obedecer a pauta que vem sendo debatida nas jornadas preparatórias realizadas em São Paulo a partir do ano passado, restando ser realizada uma última, provavelmente em Porto Alegre, antes do Congresso.
 
Segundo a assessoria de comunicação da ABEAD, os temas são escolhidos em reunião de diretoria, onde as especialistas apontam assuntos que despertam atenção por causa da necessidade de intervenção imediata – em razão do atual cenário de abuso de substâncias.
 
Neste sentido, o uso de álcool pelas mulheres, por exemplo, nunca foi, segundo avaliação dos especialistas, tão alto no país. “Estudos recentes realizados dentro e fora do Brasil sugerem que está em formação uma tempestade perfeita, capaz de elevar dramaticamente a incidência de alcoolismo feminino”, revela. O primeiro dado alarmante revelado pelas pesquisas é que as mulheres estão bebendo mais do que jamais beberam, e que o problema se agrava ano a ano.
 
Segundo a entidade, as estatísticas também mostram que o hábito de se embriagar está começando mais cedo do que antes. Na adolescência, as meninas já bebem mais do que os meninos, algo que não se percebia no passado. “Não se trata de um problema de pessoas mal informadas ou pouco instruídas. Os números são claros ao mostrar que o consumo excessivo de bebida entre as mulheres se concentra no topo da pirâmide de renda, nas famílias de classe média alta. Outra péssima notícia é que a sociedade ainda não sabe lidar com esse drama. Assim como a causa do alcoolismo entre as mulheres difere da causa entre os homens, o tratamento da doença também tem de ser outro, mas pouca gente entende isso. Por isso, a necessidade de trazer o assunto para o debate. No Congresso são abordados temas correlatos”, esclareceu a nota informativa.
 
Drogas e Recreação
 
 
A entidade faz ainda um paralelo entre o maior poder aquisitivo do sexo feminino nos dias de hoje e o uso de substâncias que alteram o comportamento (legais e ilegais).Na jornada da ABEAD deste sábado, a psicóloga, doutora em psiquiatria e coordenadora do II LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, iniciativa da Universidade de São Paulo), Clarice Sandi Madruga, abordará a Epidemiologia do consumo de álcool, tabaco e outras drogas por jovens do sexo feminino. Ela explica que as conquistas sociais das mulheres nas últimas décadas, como melhores oportunidades no mercado de trabalho e melhor remuneração vieram com um efeito colateral, que é o maior consumo de substâncias psicotrópicas. É importante que junto a este fenômeno também sejam priorizadas estratégias de prevenção.
 
A palestra também abordou sobre o consumo de estimulantes do tipo das anfetaminas (ATS) entre o público feminino, que desponta entre os maiores do mundo. No rol das drogas que têm sido mais usadas pelas mulheres recentemente estão o ecstasy e drogas sintéticas similares que contém concentrações grandes de estimulantes. O uso de inibidores de apetite sem prescrição médica também é motivo de bastante preocupação. “Drogas estimulantes, sejam usadas recreacionalmente ou para emagrecer, podem ser extremamente nocivas para o sistema nervoso além de terem grande poder de dependência”, explica.
 
Devido a sua fisiologia e variações hormonais, as mulheres sofrem mais os danos causados pelo álcool e outras drogas, além de terem maior predisposição para desenvolver dependência química, quando comparadas aos homens. Desta forma a prevenção deve ser focada e intensificada nesta população.
 
Para mudar a realidade do consumo de drogas, Clarice Sandi Madruga acredita que é necessário implementar ações de prevenção mais focadas. “São poucas as iniciativas que temos para prevenção de drogas entre o público feminino, especialmente entre meninas jovens. É preciso criar estratégias de prevenção específicas para esta população. A inibição da expansão da indústria do álcool também se faz importante, uma vez que os novos produtos cada vez mais têm as meninas jovens como consumidoras-alvo”, finalizou a pesquisadora.
Fonte: Da Redação do PCI

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