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Itapira, 05 de Agosto de 2020
Notícia
29/11/2011 | Flavio Eduardo Mazetto responde ao DROPES 73.

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O professor Flavio Eduardo Mazetto encaminhou mensagem ao Portal Cidade de Itapira sobre a questão educacional levantada por Luiz Carlos Pedroso, lançada no Dropes 73, assim:

 
Luiz Carlos Pedroso assinou e encaminhou recado ao PCI com o seguinte teor: ”será que você tem coragen de publicar até quando as nossas crianças sairam da quarta serie sem saber ler e escrever!”
 
Dropes responde, apesar de não ter procuração das autoridades públicas, publicamos e respondemos:
 
A - Não é verdade que todas as crianças que saem do último ano das séries iniciais do Ensino Fundamental não sabem ler, nem escrever. Parte significativa delas, com certeza, sai analfabetas funcionais. O que é a mesma coisa num mundo como o de hoje.
 
B -Tal crime não deve ser colocado única e exclusivamente sobre o poder público. A sociedade e, sobretudo, os profissionais que trabalham com essas crianças devem ser arroladas, também.
 
C - A sociedade ao permitir e votar naqueles que cuidam das leis e da operacionalidade do sistema público de ensino.
 
D - Os profissionais que aceitam parcimoniosamente a situação como se o problema nada tivesse a ver com eles. Até hoje nenhum movimento grevista contemplou exclusivamente a qualidade educacional.
 
E - A educação exige uma revolução. A revolução exige a participação da sociedade.
 
F - Oferecer merenda e uniforme é importante para um país como o Brasil. Mas nada é melhor para a inclusão social como a educação com qualidade.           
 
NM: Seja bem-vindo ao debate professor Flavio Eduardo Mazetto. Em preto estão as suas observações. Observe que estão na integra. Em vermelho, os meus comentários:
 
Em relação à questão da educação levantada por Luiz Carlos Pedroso e comentada por este site, gostaria de comentar o que segue:
 
01 - Tanto o leitor como a reportagem acabam partindo do mesmo pressuposto para comentar o problema, ou seja, trata-se apenas de uma opinião. Opinião é opinião, não precisa de demonstração, nem de elementos que corroborem sua efetividade. O leitor ao dizer que as crianças saem da escola sem saber ler e escrever, como o Dropes ao dizer que os profissionais da educação são “sobretudo” responsáveis por este crime na educação postulam uma opinião, que deve ser respeitada e que pode ser questionada. Todavia, estamos ainda no campo da opinião.
 
NM: Não entendo que a questão levantada por Luiz Carlos Pedroso tenha sido uma opinião, mas um questionamento desafiador. Tal afirmação tem sido usada em campanhas eleitorais e faz parte do imaginário de muitas pessoas. Quanto à minha resposta, certamente é uma opinião e, como tal, sujeita ao contraditório.
 
02 -Entendo que seja urgente uma análise mais crítica e científica dos problemas da educação. Os governos sabem muito bem o que estão fazendo. Nós é que não sabemos quando entendemos que o Estado não se preocupa com a questão educacional. A política educacional do Estado (nível municipal, estadual, federal) tem um objetivo muito claro e definido: a mercantilização da educação.
 
NM: Não concordo que os governos sabem o que fazem e não acredito que tenham como objetivo a mercantilização da educação. Falta-lhes, isso sim, visão de longo prazo e competência para resolver um problema de altíssima complexidade. Educação de qualidade envolve além do poder público, a sociedade e, principalmente, as famílias dos educandos.
 
03 - Neste sentido, discordo do Dropes no tocante aos responsáveis. É claro que temos professores que não cumprem suas funções. Mas o mesmo se diga sobre políticos, jornalistas, médicos e outros. Isto não explica nada. Pelo contrário, transfere para o âmbito pessoal um problema que é social e coletivo. O grande responsável pelos crimes educacionais neste país, e pelo mundo afora, é a política neoliberal que sucateia a educação, transformando-a em item de investimento para o capital privado (os donos de escola particular são os que mais têm a comemorar com o sucateamento da educação pública).
 
NM: Não responsabilizei os professores pelos crimes educacionais. Apenas os arrolei na lista. Não dá para imaginá-los à margem do problema. Os considerei como categoria, sem personalismo.  
Quem reúne as melhores condições para a defesa do seu trabalho com dignidade? Quem pode executar com dignidade as suas tarefas, cobrando o que lhe é de direito, a quem deve pagar, sem permitir a quebra da qualidade dos trabalhos que empreender? É justo a sociedade pagar pela falta de articulação e união de uma categoria profissional?
Não concordo, também, que os crimes educacionais são resultados da política neoliberal, que está com os seus dias contados.   
O sucateamento teve início na ditadura militar. Aliás, é comum a tese de que tínhamos uma educação pública de qualidade no Brasil. Não penso assim.
Nós não tínhamos escola para todos. A maioria sequer tinha a possibilidade de chegar perto da escola.
Tínhamos, sim, alguns pontos de excelência que atendiam os melhores bairros das cidades. Em Itapira, por exemplo, tínhamos a Escola Julio de Mesquita que não era igual ao Isaura Silva Vieira, do Cubatão. Sem falar, que mesmo no JM, havia turmas que se diferenciavam de outras. Adivinhe quais eram os alunos que ficavam com aqueles que eram considerados melhores professores? As diferenças de relacionamento escola-família eram gritantes.
O neoliberalismo, como você bem sabe, insinuou-se, no Brasil, com Collor e ganhou vitalidade com Fernando Henrique e o PSDB/PFL.
Apesar de não morrer de amores pelo neoliberalismo e muito menos pelo FHC. Reconheço que na gestão dele, problemas crônicos da educação brasileira foram resolvidos, como por exemplo, salários mensais de “professores” na ordem de R$ 10,00, no Nordeste.
Não resta a menor dúvida que o sucateamento da educação provocou uma demanda para a escola particular. Uma demanda que provocou crescimento desordenado. Fez crescer novas unidades, muitas, em detrimento da qualidade. Muitas remuneram seus professores aquém da Escola Pública.
É bom lembrar que enquanto a rede particular atende um milhão de estudantes do Ensino Médio. A pública, 10 milhões. Dá para avaliar o prejuízo que este país tem com uma educação de má qualidade?
 
04 - Por último. Mais uma vez, trata-se de demonstrar de forma mais meticulosa o que pensamos. A educação não é a panacéia para a inclusão social. Esta ideia e prática contem um fortíssimo elemento ideológico. Alude que é possível uma ascensão social pela via do esforço e dedicação escolar e il ude ao desconsiderar todo o peso das condições e constrangimentos sociais que acorrentam as classes exploradas nas fileiras mais baixas da estrutura social. No fundo, é importante que acreditemos que tudo passa pela educação, que ficar rico, ser bem sucedido, melhorar de vida, tudo isto passa pela educação, pois, desta forma, podemos isentar o sistema capitalista da condenação ao imobilismo social. Enfim, são os princípios do mercado que condenam as pessoas a amargar a pobreza e a miséria. Com a ideia de educação para todos, com a qualidade na educação transfere-se o ônus do fracasso para o estudante (que não se esforçou direito), para o professor (que não deu aula direito – como fazer isto nas condições atuais da aula e da motivação dos alunos???).
 
NM: Talvez, nesse ponto, as nossas maiores divergências e mistura de alhos com bugalhos, salvo erros de interpretação nos dois lados. Educação, para mim, nunca foi elemento de ascensão social no sentido do enriquecimento, mas como forte elemento de composição da cidadania. A educação com qualidade é o fundamento para o desenvolvimento humano e social. Não tem sentido estudar pensando em ganhar dinheiro. Só sentido no estudo, seja ele superior ou não, desde que a serviço da evolução e atendimento às necessidades humanas.
O ônus do fracasso não é do aluno, mas das gerações de brasileiros que assistiram os descaminhos quase calados. E nesse ponto, meu caro, quem me conhece sabe que fiz um pouco daquilo que me cabia, desde os tempos de IEEESO.
E, não podemos desconsiderar que a falta de perspectiva profissional refletia na falta de interesse em aprender. Esse paradigma, felizmente, está mudando.
 
05 -E não poderíamos deixar de registrar. Há mais de 16 anos a educação pública no Estado de São Paulo é administrada pelo PSDB. O partido literalmente administra a educação, ou seja, olha para esta dimensão humana como um negócio que deve ser gerido, como se fosse uma empresa e mais nada. Os resultados podem ser verificados: é o Estado mais rico, mais poderoso, que menos cuida de seus alunos, que menos paga aos seus professores, que menos investe em democracia e participação. Não se trata de opinião, não. Pode averiguar isto inclusive com os modelos copiados pelo PSDB que já foram abandonados em outros países e continuam prejudicando nossas crianças e jovens e salas de aula.
 
NM: É claro que o PSDB, no estado, assim como o PT, na federação, poderiam ter feito mais para a educação, por conta das suas pregações pré-eleitorais. Mas sabemos que os problemas nessa área demoram gerações para serem resolvidos.
Não acredito em soluções mágicas e nem que os problemas educacionais serão resolvidos com aumento de salário aos professores. O problema é mais grave.
Precisamos de revolução educacional, se queremos velocidade.
 
06 - Apenas gostaria de participar do debate sem qualquer depreciação pessoal ou de categorias profissionais, pois entendo que o problema vai além de conotações morais.
 
NM: Mais uma vez, seja bem-vindo. O Portal Cidade de Itapira está aberto para todas as manifestações culturais, sociais e políticas. Use sempre. Não só para questionar as opiniões aqui levantadas, mas para propor novas discussões.  Aliás, esse assunto, Educação, será o próximo debate na TVPCI. Você está convocado.
Fonte: Da Redação do PCI

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