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Itapira, 13 de Agosto de 2022
Artigo
16/06/2015 | Vanderlei de Lima: Charlie e a “brincadeira” do copo

 A estréia do filme A Força, no próximo dia 27 de julho, tem feito voltar à baila a velha “brincadeira” do copo, agora, porém, feita com dois lápis cruzados sobre uma folha de papel onde está escrito “sim” e “não”.

No enredo, é contada a história de um grupo de jovens que encenam uma peça teatral na escola e é assombrado pelo espírito de um ator chamado Charlie morto há 20 anos enquanto fazia a mesma peça, no mesmo palco. A “brincadeira”, que é, na verdade, algo muito sério, parece bastante simples em relação à do copo, embora o mecanismo seja o mesmo. Daí explicando o que se dá com o copo, logo se entende o processo do “Charlie, Charlie” feito com lápis.

Pois bem, coloca-se no centro de uma superfície lisa – preferencialmente uma mesa retangular – um copo e ao redor dele, nas bordas da mesa as letras todas do abecedário ou uma série de números de 0 a 9 ou ainda duas fichas de papel: uma com o “sim” e a outra com o “não”, dependendo do que se quer ver respondido.

Preparados os instrumentos, duas ou mais pessoas sentam-se ao redor da mesa e começam, de modo sério, a chamar o espírito do além para responder às indagações que lhe serão propostas. As respostas do “espírito” se dariam nos movimentos do copo que passeia pelas letras, números ou apenas oscila entre o “sim” e o “não”, podendo fazer os componentes da mesa se assombrarem com os resultados obtidos.

Às vezes, os que “brincam” deixam o copo trabalhar sozinho, outras vezes colocam dois dedos em seu fundo para melhor o ajudarem a deslizar sobre a superfície lisa em que está localizado. No caso dos lápis se dá algo muito mais simples: ele apenas se mexe respondendo “sim” ou “não”. Todavia, a explicação a ambos os casos é a mesma do ponto de vista parapsicológico, já que a Igreja Católica deixa aberta a origem desses tipos de fenômenos em si, embora condene sempre a evocação dos mortos.

Note-se o seguinte: a pessoa que “brinca” com o copo ou com os lápis fazendo perguntas já tem no seu inconsciente as respostas (certas ou erradas) para as questões formuladas, de modo que ao vê-las exteriorizadas, na agitação do copo ou dos lápis, se assusta, porém não atribui o feito ao seu inconsciente, mas ao espírito de um morto.

No entanto, não é o morto quem move o copo ou os lápis, mas, sim, os próprios vivos a curta distância. Se deixarem o copo ou os lápis em uma sala fechada cheia de câmaras que filmem a mesa por vários ângulos e afastarem todos os vivos a mais de 50 metros do local, não haverá sequer um leve movimento nem mensagem. Ora, o espírito de um morto ou o demônio pode agir a qualquer distância, mas a telergia (tele = longe / ergon = ação), emanada do inconsciente do vivo, não.

Há, todavia, como vimos, dois modos de mexer o copo. Um é por contato, colocando ao menos dois dedos em seu fundo. Quem vê isso tem a impressão de que o “espírito” presente no copo é muito forte, pois faz movimentar até os dedos dos que “brincam”. Na verdade, porém, são os dedos do vivo que mexem o copo. Basta colocar resina na mesa antes de nela depositar o copo ou passar óleo no fundo desse mesmo copo para constatar que ele não se move, embora os dedos do vivo continuem se movimentando. Outro modo é sem contato, requer, então, um autêntico fenômeno parapsicológico, por isso, é muito mais raro. Afinal, ninguém domina o inconsciente. Nesse caso, afastando os vivos a mais de 50 metros, o fenômeno cessa.

Em conclusão, afirmamos que não é correto praticar nem incentivar esse ato. Do ponto de vista psicológico, pode trazer múltiplas perturbações psíquicas a quem o pratica e até aos que lhe são próximos, mas se deixam sugestionar pelo que veem. No aspecto moral, é pecado, pois Deus condena tais atos (cf. Lv 19,31; 20,6; 20,27; Dt 18,10-14, 1Cr 10,3), não porque isso incomode os falecidos, nem porque se tenha certeza de que eles atendem – é, aliás, mais certo que não atendem (cf. Lc 16,29-31) –, mas, por ser uma tentativa de querer dominar, com receitas humanas pretensamente infalíveis ou mágicas, o indominável.

Vanderlei de Lima é filósofo pela PUC-Campinas com extensão universitária em Parapsicologia pelo CLAP/FEG.

Fonte: Vanderlei de Lima

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